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quarta-feira, 23 de maio de 2012

Porque Cleópas não era Lucas?

Dois discípulos no caminho de Emaús - Lucas 24.13-35


   Esta registrada no Evangelho segundo Lucas que após a ressurreição do Senhor Jesus, dois discípulos se dirigiam desconsolados para Emaús, pequena aldeia que distanciava cerca de 10.800 km de Jerusalém.

   Na ocasião, enquanto caminhavam os dois discípulos pelo caminho, Jesus se aproximou e começou a acompanhá-los, e após ouvi-los conversando sobre os acontecimentos recentes (à crucificação e morte do Senhor), começou a dialogar com os mesmos, lhes mostrando nas Escrituras (desde Moisés até os profetas), que tudo o que ocorreu não foi conseqüência de um conluio, desqualificando assim Jesus como o Messias tão aguardado por Israel. Muito pelo contrário, o Senhor Jesus mostrou-lhes que todos os acontecimentos eram do propósito divino, um plano de redenção para salvar o pecador, formulado desde a fundação do mundo[1], anunciado por vários séculos, anteriormente, descrevendo que o Cristo deveria padecer, sendo rejeitado pelo Seu povo e morto, para que entrasse em Sua Glória[2]

   Jesus mostrou aos dois discípulos nas Escrituras, descrevendo que tudo o que havia acontecido dias anteriores era o cumprimento necessário das Escrituras Sagradas.  Estes dois discípulos efetivamente ouviram um dos maiores sermões que alguém poderia desejar repleto de teologia bíblica do Velho Testamento.  Tendo aquecido seus corações e curando-os das dúvidas de incredulidade a Seu respeito.

   Nesta passagem do Evangelho segundo Lucas, é citado apenas o nome de um dos dois discípulos, o qual é “Cleópas”.  Cleópas é citado somente no Evangelho de Lucas, no capítulo 24, versículo 18.

  Segundo alguns estudiosos, Cleópas era o próprio médico Lucas, autor do mesmo Evangelho.  Tal declaração não encontra nenhuma referência em todo o Novo Testamento, mas, ao contrário, há muitas evidências, tanto nas Escrituras Sagradas como em fontes seculares, que nos mostram que tal tese não encontra apoio algum dentro do contexto bíblico.  Aqui pretendemos não só esclarecer o fato de que Lucas não era Cleópas, mas também edificar ao leitor, aprofundando-o no conhecimento das Escrituras Sagradas, lhe dando assim maior compreensão do contexto que esta sendo tratado neste estudo.

   Vejamos a seguir algumas das evidências que comprovam claramente porque o médico amado[3] Lucas, não poderia ter sido o discípulo Cleópas.


[1] I Pedro 1.18-21; Apocalipse 13.8.
[2]No livro de Daniel (9.24-26) esta registrada que o anjo Gabriel revela a Daniel que em 483 anos o Messias viria, e que seria rejeitado e morto pelo Seu povo (Isaías 53.7-9; Salmos 118.22; Mateus 21.42; João 1.11; Atos 4.11,12), e que Jerusalém seria novamente destruída nesta época.  Os sessenta períodos de sete anos, descritos no livro de Daniel, somam um total de 483 anos. Este tempo determinado por Deus teria sua contagem iniciada a partir da ordem do rei Ciro para os exilados judeus retornarem e reconstruírem Jerusalém. Esta contagem se iniciou aproximadamente no ano 457 a.C..   Ano em que Esdras voltou a Jerusalém e começou a reedificar não só o templo, mas também a cidade (Ed 4.12,13,16).  Neste caso os 483 anos terminaram aproximadamente em 27 d.C., que foi aproximadamente o ano em que Jesus iniciou Seu ministério e que entrou em Jerusalém montado em um jumentinho, sendo reconhecido pelo povo como o Messias (Mateus 21.1-17; Marcos 11.1-10; Lucas 19.29-38).  A destruição de Jerusalém e do templo também foi profetizada por Jesus (Mateus 24.2; Lucas 21.24), ocorrendo no ano 70 d.C. sob comando de Tito.
[3] Modo como ficou conhecido após Paulo se referiu a ele na Epístola aos Colossenses no capítulo 4, verso 14. 


Evidências


1º Evidência 


a) Autoria do terceiro Evangelho
b) Quem era Lucas?


Autoria do terceiro Evangelho

   O Evangelho segundo Lucas é endereçado a Teófilo[1], cujo nome que em latim e grego, significa “querido por Deus”, ou “aquele que ama a Deus”.  Lucas trata Teófilo por “excelentíssimo” o que reforça a idéia de que esse livro tinha como principal objetivo esse leitor em especial.  Teófilo foi um militar de alta patente do exército romano, um oficial que, convertido ao Senhor, tinha o desejo de conhecer mais a respeito da verdade, e sendo assim, patrocinou então Lucas nesse projeto de investigação acurada de todos os fatos concernentes à vida e obra de Jesus Cristo, cujo ensino já invadia Roma, convertendo multidões.   O Evangelho segundo Lucas não é só endereçado para o Teófilo, mas também a todos os gentios.

   Desde os primeiros cânones das Sagradas Escrituras, como Cânon muratório, o terceiro evangelho do novo Testamento, é reconhecido como sendo de autoria do médico Lucas.  Irineu, um dos pais da Igreja, já citava o Evangelho Segundo Lucas em suas obras, por volta do ano 180 d.C.

   Considerando que o Evangelho segundo Lucas foi publicado antes do livro de Atos[2], e que, os últimos capítulos do livro de Atos mostram Paulo em Roma, pode-se concluir que este Evangelho foi escrito entre os anos 59 e 64 d.C., em Cesaréia, durante os dois anos em que Paulo esteve preso ali por pregar a Palavra de Deus.   

   Embora o autor não se identifique direta ou indiretamente pelo nome, o cristianismo primitivo e os mais críticos acadêmicos são unânimes em concordar não só a autoria de Lucas como também defende a autoria de Lucas do livro de Atos.

   A primeira evidência sobre a autoria do Evangelho segundo Lucas é revelada no interesse especial do autor por detalhes médicos[3], levando-se em consideração que nenhum dos demais discípulos era médico, fica claro a tendência do autor em tais detalhes, pois o mesmo sendo médico trata com naturalidade e conhecimento sobre a medicina, algo que estava habituado.

   A segunda evidência sobre a autoria é que sendo Lucas gentio, deu destaque especial às mulheres[4], detalhe que geralmente não seria observado ou mesmo apontado por um judeu.  
  
Quem era Lucas?
  
   O Prólogo Antimarcionita[5] declarava que Lucas era nativo de Antioquia da Síria, que jamais se casou e morreu em Boeotia (um distrito da Grécia antiga). Morreu aos 84 anos de idade.  Alguns reforçam essa hipótese, ao mencionar suas referências detalhadas sobre Antioquia em Atos 6.5; 11.19-27; 13.1; 14.26; 15.22-35.

   Alguns historiadores acreditam que Lucas foi um apelido carinhoso para o nome Lúcio, o qual foi um dos líderes da Igreja primitiva e acompanhou Paulo em várias viagens missionárias[6].

   Lucas foi grande amigo e companheiro de ministério do apóstolo Paulo[7], é o único autor gentio do Novo Testamento.  Ambos eram amigos, e o apoio de Lucas foi um encorajamento para o apóstolo. Só existem somente três referências específicas a seu respeito no Novo Testamento.  Ao escrever para Filemom, Paulo claramente o mencionou, junto com Marcos, Aristarco e Demas, como “meus cooperadores[8]. De acordo com a epístola II Timóteo, o apóstolo mencionou com uma atitude de apreciação a presença de Lucas, quando disse: “Só Lucas está comigo[9].  Desde que seu nome é mencionado numa passagem da epístola aos Colossenses depois de todos os obreiros “judeus”, geralmente se conclui que era “gentio[10].    Lucas não foi testemunha ocular da vida de Jesus Cristo, mas andou com Deus, e foi cheio do Espírito Santo, o qual o inspirou a escrever o terceiro Evangelho, e o livro de Atos e a servir como missionário até sua morte. 

   Considerando estas evidências, tantos históricas quanto literárias, chegamos então à primeira conclusão que contraria a tese de que Lucas era Cleópas.  Além de gentio, Lucas não foi testemunha ocular de Cristo, contrariamente, Cleópas além de ser judeu foi testemunha ocular de Jesus Cristo, como também andou e presenciou a manifestação do Senhor Jesus, tanto na caminhada para Emaús, como também no partir do pão, ocasião em que reconheceu o Senhor Jesus.  Além do mais, Cleópas conhecia os apóstolos[11].  Tudo isso mostra que Cleópas vivenciou muito mais que apenas um episódio restrito com o Senhor!


[1] Lucas 1.1-4.
[2] Atos 1.1.
[3] Lucas 4.38; 7.15; 8.55; 14.2; 18.35; 22.50.
[4] Lucas capítulos 1 e 2; 7.11-17; 36-50; 8.1-3; 10.38-42; 21.1-4; 23.27-31,49.
[5]Marcião de Sinope foi um teólogo cristão e fundador do que veio depois a ser chamado marcionismo. Foi o autor das "Antíteses". De acordo com a sua teologia o Antigo Testamento deveria ser rejeitado e apenas os textos que ele atribuiu a Paulo deveriam ser tidos como sagrados.  Inicialmente Marcião era filho de um bispo da Igreja, mas depois se separou dela por causa de suas discordâncias doutrinárias. Alguns sustentam a teoria de que foi por causa de imoralidade, então foi expulso. As visões sobre Marcião variam muito. Policarpo de Esmirna chamou-o de "primogênito de satanás". É considerado o primeiro crítico bíblico. Considerava que o Deus vingativo do Antigo Testamento não poderia ser o mesmo Deus amoroso a que Jesus se referia como Pai, e por isso, achava que só o Novo Testamento interessaria aos cristãos. Mas Marcião também não aceitava os quatro evangelhos canônicos, pois os considerava corruptos, cheios de falsificações. Na doutrina de Marcião havia assim um Deus bom e um Deus mau. O primeiro ficava em um plano superior. Num plano abaixo na criação estava o Deus venerado pelos hebreus, a qual Marcião chama de Deus da Lei. Em um terceiro plano estavam os anjos (ou arcontes) e o quarto e último plano era “Hyle” (matéria em grego). O Cristo havia sido enviado pelo Deus bom para libertar as almas do plano material. Foi o primeiro a citar o nome do apóstolo Paulo em suas 140 cartas havendo mesmo quem avance que este último teria sido forjado por Marcião ou ainda que Marcião e o apóstolo Paulo seriam a mesma pessoa.  Junto com Valentim e Basilides, Marcião é considerado um dos grandes doutrinadores gnósticos.Algumas idéias de Marcião reapareceram entre os bogomilos e os cátaros nos séculos XII e XIII.
[6] Note o pronome “nós” em Atos 16.10-17; 20.5; 21.18; 27.1; 28.16.

[7] II Timóteo 4.11; Filemom 24.
[8] Filemom 1.24.
[9] II Timóteo 4.11.
[10] Colossenses 4.10-14.
[11] Lucas 24.33-35.

2º Evidência


a) Dois discípulos no caminho
b) Quem era Cleópas?


Dois discípulos no caminho

   O comentário judaico do Novo Testamento de David H. Stern, indica que os dois homens que iam a caminho de Emaús, eram “talmidim”, que significa “discípulos” no grego (plural de “talmid”, singular), cujo termo encontra amplo significado na etimologia da palavra na língua hebraica. 

   A palavra discípulo na língua portuguesa falha em transmitir a riqueza de relacionamento entre o rabino e seus “talmidim” no século I a.C..  Mestres, tanto os itinerantes, como os estabelecidos em um lugar fixo e Yeshua (Jesus), atraíam seguidores que, de todo coração, se dedicavam a seus professores (embora não de modo impensado, como acontece atualmente em algumas seitas).  A essência do relacionamento entre mestre e discípulos, era a confiança em cada área da vida, e seu objetivo era fazer o “talmid” como exemplo de seu mestre em conhecimento, sabedoria e comportamento ético.

   Ao ler a passagem sobre os dois discípulos no caminho de Emaús, nota-se que os dois homens eram na verdade discípulos de Jesus, mas, com consciência e concepções “Zelotes”, pois demonstravam essa simpatia pelo partido judaico através de suas frustrações ao declararem a Jesus: “e nós acreditávamos que fosse Ele quem havia de trazer a total redenção a Israel[1].  Em outras palavras esses simpatizantes da seita Zelote esperavam por um Messias revolucionário, assim, com essa concepção, os dois não conseguiam compreender a real missão do ministério do Messias sofredor que morreria pelos seus pecados. 

   Os Zelotes era um grupo de patriotas anti-romanos, o quarto grupo de seitas do judaísmo[2].  Este partido judaico reivindicava o retorno radical à observação das leis de Moisés e a conquista da independência nacional de Israel pela expulsão dos romanos através da violência.  Este grupo revolucionário agia com insurgências e tumultos violentos, aproveitando-se das comemorações judaicas.  Somente judeus faziam parte da seita dos Zelotes, pois a mesma era composta somente de patriotas. 

   O entendimento dois discípulos a respeito do Messias era limitado, pois, ambos tinham certeza de que Jesus era um profeta de Deus, tanto por Suas palavras e milagres que eram indiscutíveis[3].  Entretanto, após Sua morte, se deixaram tomar pela dúvida de que Jesus Cristo não fosse o Messias esperado[4], o qual acreditava que o mesmo libertaria o povo Israelita da opressão Romana[5]

   Mesmo após todos os discípulos (talmidins) verem Jesus Cristo (Yeshua) ressuscitado algumas vezes e sido ensinados por Ele por 40 dias[6], eles ainda assim esperavam que o Senhor voltasse para libertar Israel sem demora[7].

Quem era Cleópas?

   Cleópas provavelmente era Zelote, sendo assim judeu de nascimento, e não um prosélito[8].  O texto original denota Cleópas como “talmidim”, que significa não só discípulo, mas também seguidor de seu mestre. Além do mais Cleópas não só foi testemunha ocular da crucificação do Senhor Jesus, como também conviveu com os demais apóstolos.  Lucas não poderia de modo algum ser Cleópas, pois como já foi observado, o mesmo era gentio e não foi testemunha ocular de Jesus Cristo!


[1] Lucas 24.21.
[2] Na época de Jesus Cristo existiam quatro seitas judaicas: os Fariseus; os Saduceus; os Essênios e os Zelotes.
[3] Atos 7.22.
[4] Deuteronômio 18.15,18.
[5] Lucas 1.68; 2.38; 21.28,31; Tito 2.14; I Pedro 1.18.
[6] I Coríntios 15.5-8.
[7] Atos 1.6.
[8] Gentio convertido ao judaísmo.

3º - Evidência


a) Um médico com ideologia Zelote?!
b) O Juramento de Hipócrates


Um médico com ideologia Zelote?!
  
   Como se concluiu logo que diferentemente dos dois discípulos que seguiam caminho para Emaús, Lucas não era judeu e muito menos “prosélito” (gentio convertido ao judaísmo), mas, sim convertido ao Cristianismo, e que não fazia parte de nenhum partido (seita) judaica.  Logo é descartada a hipótese de que Lucas fosse simpatizante da ideologia Zelote, pois era médico, o que ia contra seus princípios ideológicos, o qual, sob o “Juramento de Hipócrates”, que se resume em salvar vidas, indo totalmente contra os princípios Zelotes, que se baseavam em ações de insurgência e tumultos seguidos de violência e assassinatos. 

História do Juramento de Hipócrates

   Em uma pequena ilha do mar Egeu, na Grécia, próximo ao litoral da Ásia Menor - a ilha de Kós - floresceu no século V a.C. uma escola médica destinada a mudar os rumos da medicina, sob a inspiração de um personagem que se tornaria, desde então, o paradigma de todos os médicos - Hipócrates.
A escola “hipocrática” separou a medicina da religião e da magia; afastou as crenças em causas sobrenaturais das doenças e fundou os alicerces da medicina racional e científica. Ao lado disso, deu um sentido de dignidade à profissão médica, estabelecendo as normas éticas de conduta que devem nortear a vida do médico, tanto no exercício profissional, como fora dele.

  Na coleção de 72 livros contemporâneos da escola hipocrática, conhecida como “Corpus Hippocraticum” (latim), há sete livros que tratam exclusivamente da ética médica. São eles: Juramento, da lei; da Arte; da Antiga Medicina; da Conduta Honrada; dos Preceitos; do Médico.
Sobressai dentre eles o Juramento, a ser proferido “por todos aqueles considerados aptos a exercer a medicina”, no momento em que são aceitos como tal pelos seus pares e admitidos como novos membros da classe médica. O juramento hipocrático é considerado um patrimônio da humanidade por seu elevado sentido moral e, durante séculos, tem sido repetido como um compromisso solene dos médicos, ao ingressarem na profissão.

Textos manuscritos preservados

   O texto do Juramento de Hipócrates que hoje se encontra em vários idiomas resultou de traduções oriundas de antigos e raros manuscritos. Embora sem comprovação, se aceita que os citados manuscritos reproduzem o texto original de quando o mesmo foi escrito. Os mais antigos manuscritos conhecidos, segundo Bernardes de Oliveira, são:

- “O manuscrito Urbinas Graecus 64 da Biblioteca Apostólica Vaticana”. Está localizado entre os séculos X e XI. Suas palavras iniciais esclarecem: “Texto do Juramento Hipocrático que pode ser jurado pelos cristãos”. O interessante documento é escrito em forma de cruz para bem marcar o patrocínio religioso. Inicia-se com a saudação laudatória habitual: “Bendito seja Deus, o Pai de Nossso Senhor Jesus Cristo; para sempre bendito seja...”.  Sua redação acompanha o texto clássico com algumas variantes e alterações das quais a principal é a omissão da cláusula referente à operação da calculose.

-  “O segundo, por ordem de antigüidade, é o manuscrito Marcianus Venetus Z 269, do século XI, pertencente à Biblioteca de S. Marcos de Veneza. O juramento aí se acha como sendo o texto original. Inicia-se com a invocação dos deuses da mitologia grega, consoante sua origem pagã”.

-  “Manuscrito do século XII da Biblioteca Apostólica Vaticana: Vaticanus Graecus 276, follio 1 recto”.

- “Manuscrito do século XII da Biblioteca Nacional de Paris”.
O último manuscrito citado encerra a versão pagã, com a invocação inicial dos deuses da mitologia grega e corresponde ao texto mais difundido atualmente.
Os demais manuscritos conhecidos do juramento de Hipócrates são todos dos séculos XIV e XV. Embora sejam equivalentes, verificam-se pequenas diferenças de redação. O número de palavras, por exemplo, oscila de 246 a 251.

Formas resumidas do juramento

   Textos abreviados do juramento têm sido utilizados em diferentes países e idiomas, tendo em vista a extensão do texto original para leitura durante uma solenidade festiva como a da conclusão do curso médico.

   A Declaração de Genebra da Associação Médica Mundial - 1948, a mais antiga e conhecida de todas, tem sido utilizada em vários países na solenidade de recepção aos novos médicos inscritos na respectiva Ordem ou Conselho de Medicina. A versão clássica em língua portuguesa tem a seguinte redação:

 “Eu, solenemente, juro consagrar minha vida a serviço da Humanidade. Darei como reconhecimento a meus mestres, meu respeito e minha gratidão.  Praticarei a minha profissão com consciência e dignidade. A saúde dos meus pacientes será a minha primeira preocupação. Respeitarei os segredos a mim confiados. Manterei, a todo custo, no máximo possível, a honra e a tradição da profissão médica. Meus colegas serão meus irmãos. Não permitirei que concepções religiosas, nacionais, raciais, partidárias ou sociais intervenham entre meu dever e meus pacientesManterei o mais alto respeito pela vida humana, desde sua concepção. Mesmo sob ameaça, não usarei meu conhecimento médico em princípios contrários às leis da natureza. Faço estas promessas, solene e livremente, pela minha própria honra”.

Juramento de Hipócrates “original”


   Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higeia e Panacea, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.

   Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, “nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva.

   Conservarei imaculada minha vida e minha arte.

   Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.

   Em toda a casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução, sobretudo longe dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.

   Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.
Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça.


                                                                        Conclusão

   Diante de todas as evidências logo se conclui que Lucas não poderia ser Cleópas, e muito menos o outro
discípulo que o acompanhava.  Como gentio convertido ao cristianismo, Lucas jamais poderia ser aceito como membro de um partido judaico nacionalista como os Zelotes.  Mesmo não sendo testemunha ocular de Jesus Cristo, foi um discípulo fiel. Como médico sob o Juramento de Hipócrates jamais poderia tomar parte de revoltas armadas com intuito de matar por uma causa conforme a ideologia Zelote. 



Bibliografia
  • Comentário Judaico do Novo Testamento, David H.Stern; Página 48; capítulo 5, verso 1; capítulo 176; capítulo 24, verso 13 ao 21. 2008;
  • Pequena Enciclopédia Bíblica, O. S. Boyer; Zelotes, página 651. 1996;
  • Quem é quem na Bíblia Sagrada, Editado por Paul Gardner; Cléopas, página 114; Lucas, página 413. 1995;
  • Conselho Regional de Medicina do Estado São Paulo - Juramento de Hipócrates;
  • Reproduzido da Revista Paraense de Medicina, vol. 17(1):38-47, abril-junho de 2003. Juramento de Hipócrates;
  • Wikipédia;



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